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Pedro Álvares Cabral
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Às vezes tenho a impressão de que há um sentimento de “traição”, de “me ensinaram errado” quando falamos sobre o descobrimento do Brasil pela coroa portuguesa, como se tivéssemos sido logrados, enganados por séculos e séculos, sobre a nossa história. Esquecemos que os próprios portugueses não sabiam detalhes dessa grande aventura marítima que foi a viagem de Cabral e que na época poderia muito bem não interessar ao governo luso a divulgação de todo o conhecimento que tinha sobre mares e terras estrangeiras. Conheço alguns que por causa disso não querem celebrar o 22 de abril. Não me associo aos que assim pensam. Se fomos descobertos por acaso ou se a visita de Cabral foi intencional a data continua a mesma; se a costa brasileira foi visitada por outros navegantes, que não deixaram muitas pegadas, a importância da data continua a mesma. Para todos os efeitos foi só a partir de 22 de abril de 1500 que essas terras foram incorporadas ao império lusitano, foram exploradas regularmente e aos poucos a cultura portuguesa por aqui se estabeleceu dominante, mesmo sob constantes ameaças francesas, espanholas e holandesas. O descobrimento do Brasil é uma data importante para nós e para os portugueses.
Ressalto abaixo dois parágrafos do excelente historiador Eduardo Bueno que clarifica e simplifica essa questão.
“Por outro lado, o certo é que a expedição de Cabral foi, de fato, precedida pela de dois navegadores espanhóis. Embora nos anos 50 essa discussão tenha se revestido de um rancoroso “nacionalismo retroativo” – contrapondo historiadores lusos e espanhóis –, o fato é que tanto Vicente Yañez Pinzón quanto Diego de Lepe navegaram por costas brasileiras entre janeiro e março de 1500. Pinzón, capitão da Niña e companheiro de Colombo na descoberta da América em 1492, chegou à Ponta de Mucuripe (no Ceará) em fevereiro de 1500 e costeou o litoral até a foz do Amazonas (do qual foi o descobridor). Lá, encontrou-se com a expedição de Diego de Lepe, que avançaria até o Oiapoque, onde chegou em março.
Ainda assim, apesar de o tema ser ainda hoje tão polêmico, o próprio Capistrano de Abreu (que admitia a precedência de Pinzón e Lepe sobre Cabral) sepultou a questão já em 1900 ao afirmar-se que as consequências práticas dessas viagens espanholas foram irrelevantes e que o “descobrimento sociológico” do Brasil evidentemente coube aos portugueses. A tese de Capistrano também pode ser usada para encerrar a discussão sobre os supostos precursores lusos de Cabral: se alguma expedição portuguesa de fato chegou ao Brasil antes da de Cabral, seu significado histórico foi praticamente nulo. O país só seria integrado ao império ultramarino lusitano após o desembarque de Cabral – e, ainda assim, muito lentamente, como se sabe. De todo modo, o descobrimento do Brasil continua sendo um capítulo aberto na história da expansão ultramarina portuguesa – e isso só aumenta o seu fascínio.”
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Em: A viagem do descobrimento — a verdadeira história da expedição de Cabral, Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998.






Bom dia Ladyce. E bom feriado!
Às vezes, gosto de pensar que preferiria ter tido uma mãe ancestral índia do que católica, mas é apenas um pensamento que não vale a discussão.
Portugal é, segundo seu poeta, “o país onde a terra se acaba e o mar começa”. Do lado de cá, meu querido Drummond ilumina: toda a história é remorso.
Beijos, da Nanci.
Bom dia Nanci. Todos nós de uma maneira ou de outra temos uma mãe índia… E Drummond, sim, ele estava certo. A sua lebrança fez com que eu me recordasse das palavra inscritas no monumento a Drummond na praia de Copacabana: “No mar estava escrita uma cidade…” Esse relacionamento especial que temos com o mar não é só lusitano, porque os ingleses e os holandeses também o tem, mas cala fundo nos nossos corações não é mesmo? Beijinhos,